ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Arcos Dorados atinge 96% de energia renovável em restaurantes do McDonald's no Brasil

Empresa reduziu emissões de escopo 2 para apenas 0,01% do total após investimentos em mercado livre de energia e usinas solares próprias

A empresa implementa 25 iniciativas obrigatórias em reformas e inaugurações de restaurantes, incluindo eficiência energética até a recuperação da água da chuva (McDonald's/Divulgação)

A empresa implementa 25 iniciativas obrigatórias em reformas e inaugurações de restaurantes, incluindo eficiência energética até a recuperação da água da chuva (McDonald's/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 06h00.

A Arcos Dorados, maior franqueadora do McDonald's, atingiu 96% de uso de energia renovável em seus restaurantes próprios no Brasil. A marca representa uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa do escopo 2, que agora correspondem a apenas 0,01% das emissões totais da companhia no país.

A organização, que opera mais de 600 unidades próprias da rede McDonald's no Brasil, investiu nos últimos anos em contratos no mercado livre de energia e na construção de usinas solares próprias para atingir o resultado. "No Mercado Livre, negociamos diretamente a aquisição de energia, garantindo maior eficiência de custos e previsibilidade para a companhia" afirma Marie Tarrisse, gerente sênior de sustentabilidade da divisão Brasil da Arcos Dorados, que conversou com exclusividade com a EXAME.

A transição energética da empresa começou em 2020, quando passou a operar no mercado livre de energia com cerca de 300 restaurantes. "Desde então, ampliamos progressivamente essa frente", explica Tarrisse. Atualmente, 68% da eletricidade consumida pela rede no Brasil vem diretamente de geradores renováveis.

Em 2022, a Arcos Dorados deu um passo além ao firmar parceria com a EDP para construir três usinas solares. "Essas usinas passaram a abastecer exclusivamente 28 restaurantes e 7 quiosques, trazendo mais autonomia, previsibilidade e contribuindo para a redução de emissões", conta a executiva.

As usinas representam 3,4% da demanda energética total da companhia e trouxeram mais previsibilidade de custos para a operação. "Isso não só contribui para a sustentabilidade, mas também reforça o compromisso da marca diante dos nossos consumidores, que se beneficiam de nossas ações tanto social quanto ambientalmente", complementa Tarrisse.

O desafio? Operações em shoppings

O principal obstáculo identificado foram as operações em shopping centers, onde a empresa não controla diretamente o fornecimento de energia. Um levantamento realizado em 2024 mostrou que 90% dos seus mais de 230 restaurantes em shoppings já operam com energias limpas.

Para contabilizar esses resultados na matriz energética, a Arcos Dorados adquiriu certificados I-REC, que hoje representam 24,1% do consumo energético, segundo a gerente sênior.

R$ 20 por uma vida: como o Instituto Ronald McDonald apoia crianças na luta contra o câncer

Além da fonte de energia, a Arcos Dorados investe em gestão de consumo. A companhia monitora diariamente todo o uso energético de seus restaurantes. "Contamos com relatórios enviados a sistemas internos que nos alertam sobre desvios em relação à média. Isso nos permite antecipar e resolver problemas de forma proativa", detalha.

"Também utilizamos acordos de compra para contratar energia limpa por longos períodos, ajudando a viabilizar novos empreendimentos sustentáveis. Nossa gestão de energia se tornou uma aliada importante para acompanhar o consumo, identificar desperdícios e buscar formas mais inteligentes de usar os recursos, reduzindo custos e impactos ambientais", explica a executiva.

Metas ambiciosas até 2030

A Arcos Dorados estabeleceu como meta reduzir em 36% as emissões diretas de gases de efeito estufa até 2030, tendo 2021 como ano-base. Para as emissões indiretas ao longo de toda a cadeia de valor, a meta é de redução de 31% no mesmo período.

Para reduzir as emissões de escopo 1, a empresa focou nos equipamentos. "Os gases refrigerantes, provenientes de ar-condicionado, freezers e refrigeradores, respondiam por 97% das emissões do Escopo 1 no Brasil, e por isso tornaram-se foco central. Atuamos com programas de recuperação, redistribuição responsável e descarte correto deles", explica.

Na frota de veículos, a solução foi radical. "Para enfrentar esse desafio, desde 2023, adotamos uma política interna de uso exclusivo de etanol para os veículos dos nossos funcionários, chegando a praticamente zerar as emissões desta categoria", revela a executiva.

Em 2022, a Arcos Dorados se tornou pioneira do setor de restaurantes a emitir um Sustainability-Linked Bond (SLB), instrumento financeiro que vincula metas ambientais à remuneração variável da liderança. "A iniciativa, inédita no segmento, ajudou a descentralizar as metas e as transformou em responsabilidade compartilhada entre todos os departamentos da companhia", complementa a gerente.

O diferencial foi o prazo mais curto que o mercado. "O SLB foi estruturado com metas claras de redução absoluta de 15% das emissões de GEE em nossas operações (Escopos 1 e 2) e 10% das emissões indiretas, de escopo 3, em um prazo de apenas três anos", detalha.

Estratégia ESG integrada

A empresa implementa 25 iniciativas obrigatórias em reformas e inaugurações de restaurantes, incluindo equipamentos energeticamente eficientes, iluminação LED, ar-condicionado com gases ecológicos, aquecedores solares, recuperação de água da chuva e isolamento térmico. "Essas medidas reduzem emissões, aumentam a eficiência e reforçam práticas sustentáveis na operação diária", lista Tarrisse.

Nas embalagens, a organização já atingiu 90% de materiais recicladas, renováveis ou reutilizáveis, sendo que todas as embalagens de papel cartonado possuem certificação FSC, que garante origem responsável. Na gestão de resíduos, os números impressionam. A franqueadora recicla inteiramente o óleo usado nos restaurantes — somente em 2024, foram 2,5 milhões de litros destinados à produção de biodiesel e produtos de limpeza.

Além disso, o programa "Aterro Zero", que já opera em 250 restaurantes, aposta na compostagem e no coprocessamento de resíduos, e conduz a logística reversa de copos, que desde 2023 já reciclou quase 600 mil unidades.

Impacto positivo

"Quando uma marca da dimensão e relevância do McDonald's assume compromissos com a agenda ambiental, não apenas reforçamos nosso posicionamento, como também influenciamos de forma transformadora toda a nossa rede de abastecimento", complementa. Para o futuro, a franqueadora mantém foco na regeneração ambiental.

"Buscamos a colaboração entre fornecedores, parceiros, pecuaristas, ONGs, instituições e participando de grupos de trabalho, a fim de discutir novas tecnologias, processos e ações educacionais. Com esse movimento, temos impulsionado a viabilidade de iniciativas de recuperação de áreas de pastagem degradadas, por exemplo", detalha Tarrisse.

Acompanhe tudo sobre:McDonald'sArcos DouradosEnergia renovávelFranquiasFast foodTransição energética

Mais de ESG

'Financiamento climático carece de infraestrutura para novos investimentos', diz CEO do BID Invest

Crucero de la COP30 prohíbe alojamiento de 20 países por restricciones diplomáticas

COP30 cruise bans accommodation for 20 countries due to diplomatic restrictions

BTG Pactual mira mobilizar US$ 1 bi para projetos sustentáveis em parceria com IFC