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Ibovespa opera em alta repercutindo PCE nos EUA e Lei de Reciprocidade Econômica no Brasil

O dólar, que teve dois dias seguidos de queda, nesta sexta-feira, 29, abre em alta cotado a R$ 5,419

Ibovespa: inflação dos EUA anual ainda está acima da meta (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa: inflação dos EUA anual ainda está acima da meta (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 10h21.

Última atualização em 29 de agosto de 2025 às 12h02.

O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, opera nesta sexta-feira, 29, com alta de 0,46% aos 141.704 pontos, por volta das 11h25, depois de um dia de pregão com forte alta (fechamento de 1,32%) — em que bateu a máxima histórica intraday aos 142.138 pontos.

O mercado avalia o impacto do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, da sigla em inglês) de julho nos Estados Unidos. O indicador subiu no mês 0,2%, dentro da expectativa do mercado. No entanto, a inflação segue fora da meta.

No Brasil, investidores acompanham a entrega do governo ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. O Orçamento para o ano eleitoral deve sofrer pressão de parlamentares por controle dos gastos públicos em meio à expansão dos programas sociais anunciados pelo governo federal.

Aqui, o mercado também repercute a autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira, 28, da abertura do processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em reação ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros anunciado em julho pelo presidente Donald Trump.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse esperar que aplicação da Lei da Reciprocidade pelo governo brasileiro acelere o diálogo e a negociação entre os países.

No câmbio, o dólar subia 0,23%, cotado a R$ 5,419 no mesmo horário.

Na quinta-feira, 29, o Ibovespa subiu mais um dia, alcançando 1,32%, fechando aos 141.049 pontos. Nos EUA, os principais índices tiveram mais um dia de altam com o S&P ultrapassando a marca dos 6.500 pontos pela primeira vez: o Dow Jones, 0,16%, o S&P 500, 0,32% e Nasdaq, 0,53%.

Ibovespa hoje

  • IBOV: +0,46%, aos 141.704 pontos
  • Dólar: +0,23%, a R$ 5,419

No radar hoje

O PCE é o índice de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e o resultado no mês de julho divulgado nesta sexta-feira indica aumento de 0,2%, dentro do esperado pelo mercado. Em um ano, o índice vai a 2,6%, acima da meta do Fed de 2%.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que o resultado mostra ainda pressão do setor de serviços. Ele vê um nível de inflação ainda alto. "A direção (da inflação) tem sido para cima", diz. Para Cruz, isso fará o Fed fazer o corte dos juros em um momento difícil.

A Alemanha, principal força econômica da União Europeia, divulgou dados preliminares de inflação em agosto. O índice ficou em 2,1% (a expectativa era de 2%). O mercado avalia se o dado já é derivado do impacto das novas tarifas de importação adotadas pelos Estados Unidos.

Na agenda, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, falou em palestra em evento promovido pelo Banco Central do Uruguai, em Montevidéu. No mesmo horário, a Universidade de Michigan divulga o índice de sentimento do consumidor nos EUA.

Às 15h, em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concede entrevista coletiva ao lado do economista francês Gabriel Zucman sobre desigualdade de tributos pagos no Brasil.

Indicadores econômicos

Nesta manhã, o Banco Central informou que a dívida pública – englobando o governo federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 77,6% do PIB (R$ 9,6 trilhões) em julho, aumento de 0,9 ponto percentual do PIB em relação ao mês anterior.

No mesmo mês, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 66,6 bilhões – o mercado tinha como estimativa negativa de R$ 60,2 bilhões.

Segundo o BC, houve, no Governo Central, nos governos regionais e nas empresas estatais, déficits respectivos de R$ 56,4 bilhões, R$ 8,1 bilhões e R$ 2,1 bilhões.

Mercados internacionais

Na Índia, o Nifty 50 fechou com recuo de 0,30% e o Sensex, queda de 0,34%. Assim, os principais índices do mercado acionário indiano tiveram mais um dia de queda depois da entrada em vigor das tarifas adicionais dos EUA sobre exportações indianas.

Na Ásia, o índice japonês Nikkei 225 caiu 0,41%, enquanto o Topix recuou 0,39%. Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 0,22% e o Kosdaq teve recuo de 0,27%.

O S&P/ASX 200, da Austrália, perdeu 0,14%. Na China, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,51%, e o CSI 300, que reúne as principais ações de Xangai e Shenzhen, avançou 0,13%.

Na Europa, as bolsas também abriram no campo negativo. Por volta das 11h25 (de Brasília), o europeu Stoxx 600 caía 0,53%, o alemão DAX recuava 0,44%, enquanto o britânico FTSE 100 desvalorizada 0,17%. Já o francês CAC 40 tinha queda de 0,57%.

Nos Estados Unidos, os futuros das principais bolsas também recuam. No mesmo horário, os contratos ligados ao Dow Jones perdiam 0,47%, os do S&P 500 tinham queda de 0,76% e os do Nasdaq caíam 1,18%.

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