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JP Morgan troca BB por Nubank e vê eleição no Brasil 'sequestrada' por guerra tarifária

Brasil é preferido do banco em sua cobertura na América Latina e tende a ser o mais beneficiado por corte de juros nos EUA, apontam estudos

 (Dylan Martinez/File Photo/Reuters)

(Dylan Martinez/File Photo/Reuters)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Repórter de negócios e finanças

Publicado em 29 de agosto de 2025 às 11h24.

O JP Morgan retirou o Banco do Brasil (BBAS3) de seu portfólio na América Latina. Os analistas não acreditam que a instituição financeira vai apresentar melhora em sua carteira de empréstimos ao setor agrícola no curto prazo. Em seu lugar, entrou Nubank, com a visão de que a operação mexicana do "roxinho" comece a dar lucro em breve.

Essa foi uma das substituições que o banco americano realizou na carteira. No México, fez uma troca de engarrafadoras de Coca-Cola, tirando Arca Continental e trazendo Femsa. No Chile, removeu CPMC, de papel e celulose.

"Mantemos a ideia de que muito do que acontece na América Latina tem a ver com eventos globais. E um bem grande está para chegar, é o Federal Reserve retomando o corte de juros que começou em dezembro de 2024", diz o relatório do JP Morgan.

O atual ciclo, porém, é diferente dos outros, observa o banco. Os Estados Unidos não estão reduzindo juros porque estão em crise, como em ocasiões passadas, o que fortalecia o dólar. Agora, a moeda americana mais fraca pavimenta o caminho para que os recursos voltem a fluir na direção dos países latino-americanos.

Brasil acima da média

No momento, o Brasil tem posição privilegiada na avaliação do JP Morgan: está overweight, o que significa que o banco enxerga performance acima da média para o mercado local. México e Chile tem classificação neutra, enquanto Colômbia e Peru estão underweight.

"Brasil é o país [da América Latina] com melhor performance em períodos de cortes pelo Fed", dizem os analistas do JP Morgan, com base em estudos feitos pelo banco.

O banco está no time dos que acreditam que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) vai começar a cortar juros ainda este ano, em dezembro, e vê Selic terminal (ao fim do ciclo de alívio) em 10,75%.

O JP Morgan admite que está mais "dovish" do que o resto do mercado, mas ampara suas projeções no fato de que tanto a inflação quanto a atividade econômica do país estão dando sinais de desaceleração.

Eleição sequestrada

A política, claro, está no radar do banco.

"No entanto, a narrativa foi sequestrada pela imposição de tarifas de 50% ao Brasil pelos EUA, seguida pela aplicação de sanções a alguns ministros da Suprema Corte e membros do Executivo. As consequências políticas, econômicas e financeiras dessas medidas ainda são incertas, especialmente porque parece que há mais por vir dos EUA", diz o relatório.

Mas os analistas se dizem surpresos de ver o real se valorizando, mesmo dentro desse cenário, e o Ibovespa nas máximas, ainda que o fluxo estrangeiro permaneça fraco.

Nubank sobe, BB cai

O Banco do Brasil (BBAS3) vive um momento turbulento perante o mercado, principalmente após a divulgação dos balanços da companhia no segundo trimestre deste ano, com uma queda de 60% nos lucros. Afetado pela inadimplência no setor agrícola, do qual é um dos maiores financiadores no país, tem visto sua rentabilidade afetada e precisou rever sua política de dividendos.

Já o Nubank tornou-se um novo queridinho da Faria Lima, também por conta de seu resultado trimestral, que superou o do Banco do Brasil. Desde que reportou o balanço, no último dia 14 de agosto, ganhou pelo menos cinco upgrades do sell side

Acompanhe tudo sobre:JPMorganNubankBB – Banco do BrasilEleições 2026

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