Agência de notícias
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 15h29.
O número de pessoas registradas como desaparecidas pelo Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho aumentou quase 70% nos últimos cinco anos, atingindo cerca de 284 mil casos em 2024.
O salto foi provocado pela multiplicação de conflitos armados, migração em massa e diminuição do respeito às normas internacionais da guerra, informou a organização nesta sexta-feira, Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas.
Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Estados e partes envolvidas em conflitos têm a responsabilidade de prevenir desaparecimentos, proteger civis e detidos, além de esclarecer o paradeiro das pessoas e apoiar suas famílias a longo prazo. A forma como esses casos são tratados, alerta a entidade, influencia diretamente processos de reconciliação, construção da paz e recuperação social após a violência.
“Do Sudão à Ucrânia, da Síria à Colômbia, a tendência é clara: o número crescente de pessoas desaparecidas é um lembrete de que as partes em conflito e quem as apoia estão falhando em proteger as pessoas durante a guerra. Não podemos nos esquecer de que por trás de cada número há uma mãe, um pai, um filho ou um irmão cuja ausência deixa uma ferida que as estatísticas não conseguem captar”, afirmou Pierre Krähenbühl, diretor-geral do CICV.
Pelas regras do Direito Internacional Humanitário, as partes em conflito devem evitar a separação de famílias em transferências ou evacuações, garantir que detidos possam manter contato com parentes e compartilhar informações sobre mortos em combate — medidas que reduzem o risco de que pessoas sejam contabilizadas como desaparecidas.
Em 2024, além dos novos registros, mais de 16 mil pessoas foram localizadas e mais de sete mil reencontraram suas famílias, por conta do trabalho conjunto do CICV, das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e, em alguns casos, das próprias famílias. Quase 90,5 mil mensagens da Cruz Vermelha foram entregues e 2,3 milhões de ligações telefônicas realizadas.
A organização ressalta que os 284 mil casos refletem apenas os registros documentados pela Rede de Vínculos Familiares, composta pelo CICV e pelas Sociedades Nacionais de Cruz Vermelha e Crescente Vermelho. O número real de pessoas desaparecidas no mundo, destaca, é provavelmente muito maior.