Vista aérea de Georgetown, capital da Guiana (Joaquin Sarmiento/AFP)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 06h01.
Na Guiana, a riqueza gerada pelo petróleo está sendo distribuída de vários modos. Um deles são pagamentos diretos para os cidadãos.
O país, vizinho ao Brasil, é o que mais cresce no mundo. Sua economia aumentou seis vezes de tamanho em dez anos: era de US$ 4,2 bilhões em 2015 e atingiu US$ 24 bilhões em 2024. O crescimento supera dois dígitos desde 2020, com números como 63% de alta em 2022, 34% em 2023 e 43% em 2024, segundo o Banco Mundial.
Neste contexto, no fim de 2024, o governo passou a oferecer "cash grants" para todos os cidadãos do país com mais de 18 anos, o que soma cerca de 600 mil pessoas.
Cada uma delas teve direito a um pagamento único de 100 mil dólares da Guiana, o equivalente a R$ 2.590 na cotação atual. O salário mínimo oficial do país é de US$ 60 mil dólares locais (R$ 1.550)
Antes, o governo havia debatido dar 200 mil dólares da Guiana (R$ 5.170) por residência, mas o sistema seria mais difícil de implantar e não atenderia diretamente jovens adultos que ainda vivem com os pais.
O governo separou 61 bilhões de dólares da Guiana (R$ 1,5 bilhão) para os pagamentos. Em maio, liberou mais 3 bilhões. O pagamento é feito em cheques impressos. Só os custos de impressão foram de 342,9 milhões de dólares da Guiana (R$ 8,8 milhões).
O presidente Ali diz que a medida busca "compartilhar a riqueza da nação". Em busca da reeleição, ele tem sugerido que poderá dar um novo pagamento de 100 mil dólares locais neste Natal.
"Ouvi o primeiro-ministro dizer que no próximo ano haverá um novo pagamento. Se vocês se comportarem, vocês o recebem neste ano", disse na quarta-feira, 27, durante um comício. "Vamos ter um Natal lindo", completou.
O país terá eleições em 1º de setembro, e Ali busca um segundo mandato. Os candidatos de oposição também prometem ampliar benefícios sociais.
Além do pagamento para todos os adultos, há mais benefícios. Em março deste ano, o governo passou a dar um pagamento de 100 mil dólares da Guiana para cada bebê nascido neste ano.
O pagamento é feito antes de a mulher deixar o hospital após o parto, segundo o governo.
"O futuro das nossas crianças é algo em que devemos investir de forma intencional. Este pagamento não é um privilégio, é um direito de todas as crianças da Guiana", disse Ali, em comunicado.
Em outra iniciativa, pais de crianças em idade escolar receberam um pagamento de 50 mil dólares da Guiana (R$ 1,300).
Além dos benefícios em dinheiro, o governo da Guiana fez vários cortes de impostos, em itens como fornecimento de água, energia e alimentos básicos.
O FMI estima que o país deverá seguir crescendo forte, a uma média anual de 14% nos próximos cinco anos.
“As perspectivas permanecem altamente favoráveis. A produção de petróleo continuará se expandindo rapidamente, e espera-se que o crescimento real do PIB não petrolífero permaneça forte, em grande parte apoiado pelos esforços do governo para investir em infraestrutura, incluindo para adaptação às mudanças climáticas, promoção da diversificação econômica e melhoria do bem-estar da população”, afirma o fundo, em um estudo feito em maio.