Shein: compras ficam mais caras nos EUA após fim da isenção de até US$ 800 (Yuichi Yamazaki/AFP/Getty Images)
Redatora
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 11h30.
Última atualização em 29 de agosto de 2025 às 11h33.
As compras de produtos baratos no exterior ficarão mais caras para os americanos. A partir desta sexta-feira, 29, entra em vigor a ordem executiva do presidente Donald Trump que extingue a chamada regra de "de minimis" para todas as importações nos Estados Unidos.
A medida encerra a isenção de tarifas e impostos para pacotes de até US$ 800. Criada no Tariff Act de 1930 para agilizar o despacho de mercadorias de baixo valor, a regra ganhou peso no comércio eletrônico e passou a ser usada por gigantes como Shein e Temu para enviar produtos baratos diretamente ao consumidor.
Segundo a Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras americana, eram processados cerca de 4 milhões de pacotes "de minimis" por dia. Em 2014, foram 140 milhões de envios nesse modelo; em 2024, o volume saltou para 1,36 bilhão.
De acordo com a Alfândega dos EUA, cartas e presentes de até US$ 100 não serão afetados. Para o restante, cada pacote passará a seguir as regras normais de tarifas, a depender da categoria de produto.
Defensores afirmam que a isenção trouxe preços baixos aos consumidores americanos. Já críticos alegam que a regra abriu espaço para concorrência desleal, entrada de produtos ilegais e falta de inspeção de segurança.
“Isso criou preocupações significativas, porque importações de baixo valor passavam com pouca fiscalização, o que facilitava a entrada de itens não conformes ou inseguros no mercado dos EUA”, disse Courtney Griffin, da Consumer Federation of America, em entrevista à NPR.
Transportadoras e serviços postais da Europa e da Ásia anunciaram a suspensão temporária de envios para os EUA. Elas afirmam precisar de tempo para adaptar documentação e processos de cobrança de tarifas. Os Correios da Suíça, Japão e Índia estão entre os que já restringiram remessas.
Na União Europeia, remessas de até 150 euros ainda se beneficiam de uma regra semelhante, mas autoridades discutem rever o modelo. O bloco recebeu 4,6 bilhões de pacotes de e-commerce em 2024, quase o dobro do ano anterior.
Para os americanos, o fim do "de minimis" deve elevar os custos de compras em sites estrangeiros, além de gerar atrasos na entrega e mudanças em políticas de devolução.
Trump justificou a decisão como forma de reduzir o déficit comercial e reforçar a inspeção contra produtos ilegais.“É um grande esquema contra o nosso país e contra pequenos negócios. Nós acabamos com isso”, afirmou o presidente em abril.