Rafael Albuquerque, fundador da Zoox: empresa de coleta e análise de dados começou com Wi-Fi para hotéis
Repórter
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 07h00.
Quem nunca se conectou ao Wi-Fi de um hotel, shopping ou aeroporto? No início, a única intenção é simples: acessar a internet. Mas, por trás dessa conexão, existe uma fonte de dados valiosa, capaz de transformar como as empresas se relacionam com os consumidores.
A Zoox, fundada pelo paulista Rafael Albuquerque em 2010, começou justamente com essa ideia: oferecer Wi-Fi para hotéis. O que parecia uma necessidade simples logo se transformaria em um sistema robusto de captura e análise de dados de aproximadamente 120 milhões de brasileiros — mas que não é visto por quase ninguém.
"Tecnologia boa é aquela que desaparece. Nosso trabalho é garantir que a tecnologia e os dados funcionem de forma fluida, sem fricções para o usuário", diz ele. "Evitamos trabalhar com empresas que possam usar dados de maneira prejudicial ou irresponsável".
Aos 19 anos, Albuquerque já tinha gosto pelo empreendedorismo. Abriu a Zoox Data em 2010 com a proposta de fornecer internet sem fio para hotéis e conquistou clientes do setor ao longo dos cinco anos seguintes.
Mas, com o tempo, o jovem de 20 e poucos anos foi percebendo que essas milhares de conexões tinham um potencial maior. "Pensei que o Wi-Fi poderia ser uma janela para capturar dados valiosos sobre o comportamento dos usuários", afirma Albuquerque.
A partir de 2016, a Zoox pivotou para um novo modelo de negócios. Ao transformar cada ponto de Wi-Fi em um ponto de coleta de dados, a empresa passou a fornecer às empresas informações sobre os hábitos e preferências dos consumidores.
Isso quer dizer que uma marca pode ver, por exemplo, quais sites a pessoa visitou e quanto tempo ela passou online enquanto utilizava o Wi-fi daquele estabelecimento. Combinados com e-mail e CPF, os dados viram ferramentas poderosíssimas: dá para entender os hábitos de compra, qual a renda estimada e até a ocupação daquele consumidor — que só queria internet para não gastar muito do 4G.
Coletas de dados assustam, mas são praxe no setor e estão presentes em quase todas as redes de internet pública. Nos Estados Unidos, marcas como Verizon e AT&T (de telecomunicações) monetizam os dados coletados via redes de Wi-Fi em áreas públicas. A gigante de tecnologia Oracle também tem uma vertente de dados em nuvem para coletar e organizar essas informações.
Vale ressaltar que nenhum deles está violando a lei. Aqui no Brasil, a Zoox atua alinhada às regulamentações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso significa que nenhum dado é coletado ou compartilhado sem o consentimento do usuário. Caso algo do tipo ocorresse, seriam milhões de reais em multas para a Zoox e a empresa parceira envolvida.
Em 2018, a Zoox já transformava dados em perfis completos de consumidores para marcas como Globo, Santander, TIM e Claro. A plataforma também passou a oferecer ferramentas para organizar grandes volumes de dados. "Queremos que qualquer pessoa numa empresa consiga acessar e usar os dados de forma simples e eficiente", afirma Albuquerque.
Hoje, a empresa já coleta dados de mais de 50 milhões de pessoas por mês. A Zoox expandiu as operações para mais de 30 países, incluindo pontos-chave como aeroportos em Portugal e Barcelona.
Mais recentemente, a Zoox tem sido peça fundamental em grandes eventos pelo Brasil, como a Fórmula 1, o Rock in Rio e o The Town, cuja segunda edição acontece em setembro de 2025. É também a segunda vez que a Zoox trabalha com o festival paulista.
Em eventos, a empresa de dados oferece insights em tempo real para marcas parceiras. A tecnologia consegue ver, por exemplo, qual a porcentagem de pessoas presentes no evento 1 que também compraram ingressos para o evento 2, da concorrência. Outro dado interessante é a média de deslocamento que o público fez até o local, além de outras informações como idade média e números de ingressos vendidos.
O plano para o próximo ano é expandir a parceria com eventos dentro e fora do Brasil. A plataforma da Zoox também deve ganhar novos produtos para oferecer uma "visão mais detalhada" do público-alvo das clientes.